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My predictions for this decade: embracing another roaring 20s

What a wonderful time to be alive. We live in a rapidly transforming society, like in no other time. Each moment can be the last one of the way we are used to seeing the world, to interacting with it and to making a sense of it; everything can be changed overnight. Of course, that generates a new kind of anxiety, one that yesterday people wouldn’t have to struggle with; it is as if we couldn’t count on a firm ground anymore. For people who like a more calm life, this whole unpredictability certainly can feel overwhelming. A globalized world, in which any event, in any part, is instantaneously known and matters; a world in which groups of people are dedicating their lives to come up with new ways to live, creating hardware, inventing services, developing software. For the most part of human civilization, there was none of that -- then, came the capitalism. Who would foresee that the most meaningful thing of the last decade would be all the power given to the individual by smartphones

Conservadores e liberais, ou: a comédia social

Que o ser humano é inclinado a uma visão de mundo dual, maniqueísta e dicotômica – não é segredo para ninguém. Através da história, a sociedade tem sido permeada por essa visão de lados opostos – um comportamento inteiramente ligado ao funcionamento primitivo do cérebro, isto é, um comportamento natural. De tantos resultados disso, chama atenção a forte divisão moral que se estabeleceu entre os homens, a saber, a divisão entre conservadores e liberais. 

Por ser, como dito, "natural", é de se esperar que essa divisão seja acentuada em cabeças desprotegidas de autocontrole, auto-observação e consciência – pois são as que se deixam levar pelo que há de pré-estabelecido em si. Entre essas pessoas, que constituem a maioria da população, não se fala em outra coisa atualmente; para elas, hoje tudo é conservadorismo, liberalismo, esquerda, direita... É um tópico, sem dúvida, já cansativo, mas eu não podia me furtar a oportunidade de falar sobre, em vista de sua amplitude. 

Muito se pode dizer sobre esses dois grupos, esses dois lados opostos, direita e esquerda. O ponto que mais me interessa, que é o foco aqui, é a relação de dependência mútua do conservador e do liberal, uma relação não intuitiva em um primeiro momento. Sob o ponto de vista moral, o conservador quer manter o status quo, enquanto o liberal quer destruí-lo; este quer violar as tradições, aquele quer preservá-las. Porém, apesar das diferenças, a relação de dependência mútua dos dois é evidente quando se percebe que ambos trabalham juntos e com o mesmo propósito: depurar os valores morais. Por trás do embate, a direita e a esquerda, sem suspeitarem, buscam juntas e de mãos dadas exatamente esse mesmo objetivo; são ambas agentes em um processo de seleção artificial de valores morais. 

O conservador e o liberal são faces da mesma moeda no 'jogo dos valores morais'. É um jogo com regras simples: para cada valor moral uma moeda é lançada para o alto e, a depender da face que estiver para cima quando ela cair, soma-se um ponto ao valor; repete-se o processo; quanto mais pontos um valor moral tiver, mais adesão da sociedade ele terá. O que eles querem com esse jogo é reavaliar os valores que estabelecem o modo de operar da civilização. Na prática, a função do liberal é propor novos valores que possam substituir os valores vigentes, e a função do conservador é analisar as propostas. Como regra geral, o conservador tenderá a declinar, portanto caberá ao liberal, além de propor, convencê-lo. 

Como é de se esperar no mundo humano, com símbolos de toda sorte orbitando a mente, o processo pelo qual esse jogo se dá é caótico, orgânico e, frequentemente, violento. Os liberais, ao propor e tentar convencer, por vezes precisam ser agressivos, e os conservadores, negando as propostas de novos valores, respondem na mesma medida. No entanto, os valores da sociedade mudam, pouco a pouco. Os conservadores acabam, finalmente, por ceder diante dos valores que se provam ser de algum benefício para a civilização. Por meio desse jogo cômico, a esquerda e a direita encontram juntas os valores morais que regerão suas vidas. 

É difícil não se maravilhar com todo esse teatro armado para a depuração de valores morais, em que os atores, conservadores e liberais, desempenham inconscientemente seu papel. No lugar da razão, da lógica e do pensamento claro buscando melhores formas de se viver, unem-se esses dois grupos desequilibrados e, juntos, balanceiam-se e chegam a um consenso de como a sociedade deve prosseguir; para muitos deles, a razão de existência é esse trabalho que desempenham sem perceber. 

A manutenção desse ecossistema, com a simbiose do conservador e do liberal, só é possível porque esses homens se deixam dominar por suas inclinações naturais; não estão conscientes o suficiente dos próprios atos para terem controle sobre si. Essas inclinações nada mais são do que um filtro sobre a visão de mundo, que faz com que enxerguem os fenômenos de forma específica, isto é, de modo conservador ou liberal. São impossibilitados de analisar os fenômenos caso a caso; tomam poucos casos e generalizam de acordo com sua inclinação, consolidando assim sua visão de mundo. Têm, ambos, um bloqueio lógico. 

Todo homem inconsciente participa de um jogo sem perceber. O jogo de forças morais dos conservadores contra os liberais – um dos tantos jogos humanos – transforma a sociedade em um tabuleiro, no qual eles são as peças. Com o objetivo de depurar os valores, é um processo que tem funcionado até agora e até aqui, ao menos para essa gente. Mas é uma comédia que, a olhos vistos, tem cada vez menos graça.

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